Persona

30 de set de 2011

Ultimamente tenho assistido muitos filmes. Alguns legais, outros não muito, mas sem dúvida nenhum me causou tanto impacto como Persona, do Ingmar Bergman. Algumas pessoas, principalmente professores já haviam comentado sobre esse filme há algum tempo e eu nunca tinha assistido, porém há algumas semanas atrás assisti na aula de direção de atores  e foi incrível, com certeza já entrou na minha lista de filmes preferidos!

Persona nos instiga a pensar e refletir. Cada cena tem um papel fundamental na história e enredo no filme, e isso na minha humilde opinião é o mais legal de tudo. Com uma fotografia extremamente bela e algumas vezes ousada, com elementos diferentes e criativos, o filme conta a história de Elisabeth que  é uma atriz de teatro que após uma apresentação decidiu calar-se e nunca mais falar nada. Desde então, ela fica muda e vive num hospital, onde conhece Alma, a enfermeira que passa a cuidar dela. 

A partir daí todos passam a querer saber o real motivo pelo qual Elisabeth decide fazer isso. Muitos exames são feitos, mas todos indicam que não há nada de errado com ela, ela está normal. A médica então prefere que Elisabeth vá descansar em uma casa de praia com a enfermeira, já que a estadia no hospital não surte efeito algum.

Mesmo na praia Elizabeth recusa-se a voltar a falar, mas isso não impede que uma forte relação de identificação se estabeleça entre ela e Alma. A enfermeira em momentos nostálgicos conta histórias de sua vida e Elizabeth mesmo não falando nada parece entender e confortar seus sentimentos. Uma forte sintonia entre as duas surge a partir daí . Porém no decorrer no filme Elizabeth trai a confiança de Alma, escrevendo à  médica coisas ruins a seu respeito. Alma sente-se usada, como se Elizabeth estivesse a todo momento analisando seu comportamento e não dando a mínima a seus sentimentos. Os papeis então são invertidos e Alma volta-se contra ela.

Mais do que tudo Persona é um filme que se desenvolve de modo elíptico e não linear. Vemos os temas abordados por Bergman ressurgindo a todo o momento. O existencialismo, a metáfora do cinema e do teatro, a questão da realidade, a persona, a falsidade do mundo, a vontade de querer ser contra a sociedade ( na minha opinião Elizabeth deixa de falar por ser contra a falsidade existente no mundo) voltam com novos significados e ampliados através da construção simbólica das imagens. Isso é visível em muitas sequências.

Segundo alguns sites que pesquisei, no filme há diversas referências ao teatro.O próprio título do filme remete ao mesmo pois o termo persona deriva da máscara usada pelos atores na tragédia clássica. Persona pode também caracterizar os diferentes personagens da peça. A personagem central faz o papel de uma atriz que surta durante a apresentação de uma das mais importantes peças gregas já escritas: Electra.

É indispensável falar da atuação das atrizes Bibi Andersson e Liv Ullmann. Suas feições, seus gestos dão vida ao filme, assim como a montagem a a escolha de cenas iniciais que nos fazem pensar e querer respostas ( que são dadas no decorrer do filme). Tudo é muito bem pensando. É interessante notar também que podemos analisar Persona por muitos viéis da psicanálise, mas aí eu iria me aprofundar muito nessas questões. O mais importante a saber é que esse filme realmente é uma bela obra cinematográfica e que não apenas cinéfilos devem assistir, mas qualquer pessoa já que muitas reflexões são feitas a respeito da vida.

Somos obrigados a pensar a respeito dos papeis que podemos ter em nossas vidas juntando o comportamento de duas personagens que aparentemente são diferentes mas que depois vemos que fazem parte de um único ser, uma única persona. Essa única persona é mostrada com a junção dos rostos das atrizes ao final do filme com um desfecho surpreendente. Vale a pena assistir!


Helio Filho


4 comentários:

  1. Muito bom você ter falado sobre esse filme, ele com certeza precisa estar sempre em voga pois provavelmente é um dos melhores de Bergman. Ótimo texto e parabéns pelo blog!

    Gian Le Fou

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  2. Adorei o post Helio! Nunca ouvi falar desse filme, e agora fiquei instigada a assistir. Deve ser mto bom! Valeu pela dica!

    bjos!!

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  3. Interessante! Faz tempo q vc n fala sobre filmes aqui e este parece ser mto bom! Esse filmes q mexem com nosso psicológico são ótimos, vou assistir com certeza!

    bjosss! :)

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  4. Gian Le Fou,

    Com certeza! Realmente é um dos melhores filmes do Bergman e falar sobre ele é sempre bom! Obrigado pela visita mais uma vez! :)

    Lis,

    Assista mesmo! É um ótimo filme, você não vai se arrepender! Beijoo! :D

    Hany,

    Pois é, faz tempo mesmo! É que ando muito ocupado hauahauha, mas assita mesmo! É muito bom!

    =**

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