Na Natureza Selvagem

1 de jul de 2012



Assisti um pedaço do filme “Na Natureza Selvagem” (Into The Wild) na aula de redação do cursinho pré-vestibular há algumas semanas atrás. Sendo coincidência ou não com minha vida, o professor comentava sobre como nós, seres humanos, podemos tomar decisões e mudar nossas vidas e como isso poderia afetá-las. Além disso, discutíamos também a individualidade de cada pessoa e a sociedade de consumo que faz o mundo contemporâneo ser sujeito dos seus atos e ao mesmo tempo um objeto deles.

A citação “O homem é um ser-no-mundo” do filósofo Heidegger nos fez pensar muito sobre o mundo capitalista que nos induz a ser algo sempre maior do que imaginamos, a constante ideia de que sempre precisamos nos tornar algo, o “ser algo” no mundo. Escolhido perfeitamente, o filme de Sean Penn se encaixou perfeitamente nessas temáticas. Não pude deixar, lógico, de assistir a obra inteira depois.

 Christopher McCandless é um jovem de 22 anos, recém-formado que decide abandonar sua vida cotidiana em busca de um desejo interior que faz parte dos seus ideais de vida. Totalmente contra o mundo materialista, ele doa todo o seu dinheiro juntado durante anos para uma instituição de caridade, abandona a casa dos pais sem nem mesmo se despedir e sai pela estrada rumo ao Alasca, para viver longe das relações humanas por ele chamadas de hipócritas e cheias de mentira. McCandless queria viver em contato com a natureza, longe de tudo que pudesse ser criado pelo homem consumista, materialista.

A viagem do protagonista é contada por meio de flashbacks do seu passado, narrados em voz off pela sua irmã. Esse detalhe no roteiro foi uma das coisas que mais gostei no filme, pois o modo como o diretor o construiu foi como se estivéssemos lendo o diário que Christopher escreve durante sua aventura. Cada flashback é um novo capítulo e isso fica mais do que claro no filme. Não posso deixar de comentar sobre a fotografia que explorou bem a natureza e o que o personagem realmente queria viver. As cenas no oceano, nos morros e principalmente na floresta são muito bonitas.

 A solidão é muitas vezes enfatizada por meio dos obstáculos que ele enfrenta. Caçar agora é uma obrigação, saber as ervas comestíveis também. Conviver apenas com a natureza faz com que ele aos poucos se sinta feliz, criando amigos imaginários, embora sentimos um certo vazio no personagem no decorrer no filme.  "Mais que amor, dinheiro, fé, fama, equidade, dê-me a verdade." Essa frase, dita por Christopher mostra como ele fica submerso na sua verdade, na verdade que ele próprio constrói.

Nos flashbacks percebemos também a existência de um homem um tanto perturbado emocionalmente pelo fato dos pais brigarem constantemente e por ele ser um filho bastardo. Em certas passagens ficamos sabendo que sua mãe era amante do seu pai que acaba se separando da primeira mulher. Não fica muito claro se esse é realmente o motivo principal do sentimento de liberdade e revolta que ele tem, mas é algo que certamente não fica despercebido e nos faz pensar a respeito. Nota-se uma forte angústia que ele tem por conta disso.



Em seu percurso ele encontra diversas pessoas: um casal hippie, um traficante “homem do campo”, um casal de jovens estrangeiros, uma cantora hippie adolescente ( Kristen Stewart ainda desconhecida!!) e um idoso, Ron. E, ao contrário do que se possa imaginar, ele é sociável, muito alegre e divertido. Chris encanta todos que encontra e, muitas vezes, toca-os profundamente com suas atitudes e palavras. 

A mulher do casal hippie encontra em Christopher seu filho que desapareceu, o traficante é preso, a cantora hippie se apaixona por ele e o Ron tenta adotá-lo ao ver que irá seguir rumo ao Alasca. Chris se distancia de todos eles, de todas as relações que poderiam ser eternas e fundamentais na sua vida.

Uma cena muito bonita é retomada no final quando percebemos que o personagem finalmente “se encontra”. Ron e Chris conversam sobre a relação deste com seus pais e com o mundo. Chris afirma que a alegria da vida não vem principalmente das relações entre humanos e Ron, referindo-se ao relacionamento de Chris com os seus pais diz: “Quando se perdoa, se ama… E, quando se ama, as luzes de Deus brilham sobre você e, então, a luz do Sol brilha intensamente”.

Christopher percebe então que tudo o que ele estava pensando não fazia o menor sentido quando entende que " a felicidade só é verdadeira quando compartilhada”. Com essa frase que ele escreve, entende o quanto as relações humanas de amor, carinho, com todas as pessoas, são fundamentais para se ter alguma felicidade.

Apesar de ter contado a maior parte do filme, como sempre não irei revelar o final. Fica então a curiosidade para saber o que acontece com o protagonista. Essa obra é mais que uma bela fotografia, ela passa uma grande mensagem. Consegue prender o espectador, provocá-lo, incentivar uma reflexão e deixá-lo cada vez mais curioso para saber o final da história.  Vale ressaltar que a temática é válida atualmente, visto que lida com algumas questões como o relacionamento entre os seres humanos e a crise de identidade que todos  podem um dia passar =P

5 comentários:

  1. paz queridoo ! tudo sim graças a Deus !parece ser um bom filme mesmo !.E verdade tu sumiu do meu blog , que pena :x , e uma falta de tempo que eu tb vou ficar com a volta das aulas :x ' mais enfim , obg , o teus posts tb são lindos , e os salmos são lindos e dão mts conselhos mesmos , rs . Para caada momento *--* .
    Beijos , fica com Deus !

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah que bom! Então estamos todos bem =)

      O filme é lindo, você iria gostar mesmo! Assista e depois me conta o que achou! Hum, irei entender essa falta de tempo sua também, pode deixar hahaha. Obrigado!

      Beijo

      Excluir
  2. Matheus Lucas Medeiros6 de julho de 2012 17:08

    Gostei do post Helio!
    Fiquei com vontade de assistir agora, parece ser mto bom. A história é diferente, os motivos do personagem parecem ter um fundamento muito forte no que ele acredita, é interessante. E pelas fts deu pra ver que a fotografia é realmente mto bonita! Valeu por compartilhar com a gente =)

    abraços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Matheus! Por nada! Fico feliz que tenha gostado do post!

      Esse filme é um dos melhores que vi recentemente, se não o melhor. É bem diferente mesmo, tem todo um fundamento sim. Mas no final tudo muda completamente,a visão de mundo que o personagem passa a ter muda bastante! É incrível! A fotografia é perfeita! Não sei se você já assistiu, se não, assista mesmo e me conta o que achou viu?

      Abraços :P

      Excluir
  3. Esse filme é o que há de mais verdadeiro e incrível, humanamente falando... Fiquei felizaça de vê-lo por aqui.

    ResponderExcluir

Gostou do post? Deixe um comentário! Sua opinião é muito importante pra mim :)

| Powered by Blogger | Todos os direitos reservados | Melhor Visualizado no Google Chrome | Topo